Investigação da PJ

Fundador do Grupo Progresso Saúde nega "quaisquer crimes" por parte dos associados

Polícia Judiciária efectuou buscas em mais de 30 farmácias e residências
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Polícia Judiciária efectuou buscas em mais de 30 farmácias e residências NFactos/Fernando Veludo

O fundador do Grupo Progresso Saúde, Bruno Lourenço, constituído arguido no âmbito de uma investigação policial iq options a dezenas de farmácias, negou nesta quinta-feira a prática de “quaisquer crimes” por parte dos associados do grupo.

“Estão a meter-nos num problema que não é nosso. Não devemos nada a ninguém”, disse à Lusa o farmacêutico Bruno Miguel Lourenço, dono de quatro farmácias na zona de Lisboa, entre elas a Farmácia Progresso, em Benfica, da qual é director técnico.

O Grupo Progresso, que integra 20 farmácias em vários pontos iq option do país, “funciona como uma central de compras com vários associados”, a fim de estes beneficiarem de “melhores margens” na comercialização dos medicamentos, adiantou.

“Os nossos medicamentos são sempre comprados a pronto pagamento, pois assim temos mais desconto” dos fornecedores, num momento em que “o mercado está difícil”, afirmou Bruno Lourenço, indicando que o Grupo Progresso, foi criado por si.

Explicou que os associados “criaram uma marca, para estar tudo sob o mesmo chapéu”. Segundo o seu fundador, o Grupo Progresso “é apenas uma estrutura informal” que não funciona iqoptions como “uma entidade jurídica”.

Além de várias farmácias, o grupo integra duas ópticas Progresso, em Benfica e no TagusPark, e planeia também entrar no sector das clínicas, segundo a sua página na Internet, o que foi confirmado por Bruno Lourenço.

PJ fez buscas em mais de 30 farmácias e residências

Na terça-feira, a Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária (PJ) desencadeou uma mega-operação, que envolveu 115 polícias e 35 funcionários da Autoridade Tributária, com o objectivo de desmantelar uma rede que se dedicava a burlar empresas, particulares e o próprio Estado, no sector do medicamento.

O caso está a ser investigado há seis meses e culminou na terça-feira com uma série de buscas efectuadas em mais de 30 farmácias e residências, em Portugal Continental.

Apesar do aparato, não foram feitas detenções. Contudo, a polícia apreendeu valiosas obras de arte de autores conhecidos, bem como jóias, um iate e 14 viaturas de luxo que se presume sejam produtos dos crimes, disse a PJ em comunicado.

Além do fundador do Grupo Progresso Saúde, também o empresário Nuno Alcântara Guerreiro foi constituído arguido nesta investigação. No comunicado enviado por Bruno Lourenço à Lusa, “os associados do grupo empresarial Progresso” demarcam-se do empresário.

“Os associados do Grupo Progresso informam ter adquirido vários estabelecimentos de farmácia, inclusivamente, ao doutor Nuno Alcântara Guerreiro, que se encontravam com dificuldades financeiras”, referem.

Asseguram, por outro lado, que as suas relações com este arguido “se esgotam no âmbito dos contratos legalmente celebrados, para a aquisição” das suas farmácias.

“Mal conheço o senhor”, disse à Lusa Bruno Lourenço, demarcando-se dos crimes imputados a Nuno Guerreiro Alcântara: “isso é lá com ele”.

Na nota, manifestam ainda “a sua total disponibilidade para colaborar com as autoridades judiciárias no âmbito da investigação” em curso.

“No âmbito da sua autonomia contratual”, estes farmacêuticos “apenas celebraram negócios legítimos de aquisição dos referidos estabelecimentos de farmácia”, alegam, frisando que não tiveram “quaisquer condutas ilícitas” e que “cumprem na íntegra” os “deveres deontológicos rígidos” da sua atividade profissional.

Em comunicado enviado às redacções, a Associação Nacional de Farmácias (ANF) mostra-se preocupada com o desenvolvimento de "fenómenos de natureza criminal" no sector, que "prejudicam gravemente a imagem das farmácias perante o país e particularmente perante os doentes".

A associação sublinha ainda que "foi a direcção da ANF que participou às autoridades de investigação criminal o caso da burla informática".

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